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"O limoeiro e a caixa de Pandora" (André Prando)

Não quero falar de coisas tristes
Outras eras te sussurram que eu não gosto de bandeira

Eu quero que você me desfrute
E sentada em limoeiros, com cheiro de cama, surta
Eu quero que você me desfrute
E num futuro casual sorrir sozinho em qualquer curva

Se lembra aquela crise do passado
A dor e sorriso em aparência andam lado a lado
Limões do limoeiro enluarado
É tão bonito se encantar com coisa incontável

Mas não quero falar de pesadelos
De assombro já me basta, eu me alimento de clareza

Eu quero que você me vislumbre
E em outra vida casual me reconheça com um sorriso
Eu quero que você me vislumbre
Hoje ja é amanhã e ontem faz tão pouco tempo

Vislumbre é enxergar um outro lado
A novidade é um presente com um laço vermelho claro

Trancado esses dias, já não vou embora
Você me abriu e foi uma caixa de pandora
Trincado e reparado, já não vou embora
Você me abriu e foi uma caixa de pandora
Eu sou uma caixa de pandora
Você é uma caixa de pandora

O ladrão de canetas de banco, lá fui eu

Tarde cinza, fria e bonita de quarta-feira. Bem, pelo menos eu gosto, não sei se é o daltonismo ou o mero apreço por esse clima… os bancos saíram de greve e como um montão de gente que precisava pagar as contas, lá fui eu.

Como de costume eu levei um livro, aquela fila demorada até pros caixas-rápido me rendem algumas páginas lidas, né? Sempre com uma caneta no bolso pras anotações e rabiscos que eu sempre dou nos livros, lá fui eu.

Antes mesmo de pegar a fila, já esperada, fui lá pegar um envelope pra botar uma grana pra depósito e preencher as paradas. A caneta afixada na mesa do banco pras pessoas usarem estava sem tinta, dei uns rabiscos no canto do papel pra ver se saía um cadim de tinta e nada… ora, eu tenho minha caneta no bolso, né? Tá tudo certo, lá fui eu.

Enquanto preenchia meu envelope uma mulher bem vestida parou do meu lado e ficou me olhando. Foda-se, né? Continuei… quando terminei a mulher me disse: 
- Você vai usar mais a caneta? É que ela é minha. 
- Na verdade não, essa é minha. – respondi numa boa.
A mulher me olhou de cima a baixo – deve ter notado a barba longa, cabelo longo, tatuagens, chinelo, talz – fez uma cara de desgosto e retrucou:
- Eu deixei essa caneta ali na mesa ao lado..
- Na verdade não, essa eu trouxe de casa. – respondi numa boa.
- Ah, pode ficar então, ladrãozinho. – virou as costas e saiu fora.

Fiquei parado olhando ela sair fora toda cheia de razão e toda vazia de bom senso, revisei mentalmente a bizarrice ocorrida em questão de segundos e me senti mal por ela. Mas afinal de contas, virei ladrãozinho agora, é? – pensei.

Não disse nada não, afinal de contas ela até já vazou né? Infelizmente esses episódios bizarros acontecem comigo diariamente. Desde abordagens esdrúxulas com comentários a respeito da minha aparência ou mesmo encaradas desconfortáveis… Mas bem, esperei minha vez na fila, li duas páginas do meu livro, resolvi o que tinha que resolver e fui embora do banco, onde me tornei ladrãozinho de caneta.

Ladrãozinho… lá fui eu.

Fui enterrado ontem

Há muito tempo sou asfaltado

Hoje a melhor coisa que eu fiz foi não fazer nada

Pois nada que façam 

Vai me separar

Tudo que faz se vai 

Tudo se vai

Tudo que faz se vai

Tudo que vai

Tudo se faz, se vai  

Da distancia da instância caótica além de mim 

Concretos tentarão me atar

Até matar

(André Prando, 20 09 14) 

Sobre a Ilha, sobre a música e sobre você

Reza a lenda que Vitória é a ilha de Lost, onde um bando de maluco com uma história carregada de bem ou mal tentam fazer contato com o mundo exterior em vão. Ninguém lá fora fica sabendo o que diabos estamos fazendo e quem já está preso e habituado à ilha fica numa de ficar nessa.

Ora, que lenda, ein!? Mas cá estou na Ilha de Lost. Músico e compositor, sou um jovem rapaz jogado aqui e lutando contra a fumaça negra.

Como anda o cenário cultural? – me perguntam. Pra eu que circulo por aqui, digo que vai bem, vai crescendo, toma vitamina de banana e cereal todas as manhãs, fuma uns cigarros pra manter o estilo James Dean e de noite dá um rolê pelas redondezas. Pelas redondezas… É, eu não sou expert pra dizer como andam as coisas lá fora, nem me atrevo na verdade. Mas juro de pés juntos que eu não canto e componho só pra população da Ilha, mas vou descobrir aos poucos como fuciona esse negócio aí.

Tenho visto uma pá de compositores com um talento ímpar apresentando seus trabalhos. 2014 mal começou e já tem um tanto de lançamento na praça, sabia, caro leitor? Pó de Ser Emoriô, Silva, Fabrício, Mango, Fespaschoal, Expurgação, Vitrola de 3, Juliano Gauche, Gustavo Macacko, Wanderson Lopez, André Prando (prazer, sou eu!)…. Peço, para o bem de todos, que procure saber sobre essa galera. Música boa que acaba de sair do forno, outros que, apesar de não serem lançamento, estão quentes como o diabo também. Ouça o que não te botam pra ouvir, juro que você vai descobrir que você tem um gosto.

O que eu tenho procurado fazer é mostrar meu trabalho por aqui antes de dar um rolê pelas demais ilhas, que já estão lotadas e eu não sei se tão afim de acolher um moleque abusado e espaçoso. Abraço quem me abraça, abraço até quem não me conhece.. quer um abraço? Canto no pé do seu ouvido se você quiser, te convido a ouvir meu disco recém lançado, o EP “Vão”, está disponível na internet. Vão ouvir? Ouça e mostre pro seu brother, vivemos na era em que curtir leva ao compartilhar.

Por hora, onde quero chegar? Ora, chegar numa situação em que todos falam ao invés de perguntar sobre nossa cena, seria no mínimo mais interessante. Vitória, Espírito Santo tem muita gente talentosa. Santo de casa faz milagre sim, mas pro milagre acontecer, fiéis são necessários. Consuma-me, bicho. Dá uma ouvida no som de Lost, Vitória não está perdida. Essa não é a primeira vez nem a última que estarei aqui nessa papelada fazendo papel de entusiasta pro meu próprio trabalho e pra quem mais estiver produzindo.

André Prando

Ouça: http://soundcloud.com/andreprando
Curta: http://facebook/prandoandre
Contato: contato@andreprando.com.br

06 03 14

Tava tudo escuro pra cacete, daí eu recebi do meu irmão mais velho uma recomendação de médico de olhos… daqui a pouco eu lembro o nome.

Quando cheguei no oftalmologista ele, de longe, gritou pra ver meu olho direito. Disse que antes de cuidar dos olhos eu devia me alimentar bem. Eu tenho uma doença que faz a minha não-vontade de comer legumes ser relativa ao quanto eu fumo mais.

Era isso.
Foi meio foda.

Acordei, bebi água e fumei um cigarrim.

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