Now Playing Tracks

Fui enterrado ontem

Há muito tempo sou asfaltado

Hoje a melhor coisa que eu fiz foi não fazer nada

Pois nada que façam 

Vai me separar

Tudo que faz se vai 

Tudo se vai

Tudo que faz se vai

Tudo que vai

Tudo se faz, se vai  

Da distancia da instância caótica além de mim 

Concretos tentarão me atar

Até matar

(André Prando, 20 09 14) 

Sobre a Ilha, sobre a música e sobre você

Reza a lenda que Vitória é a ilha de Lost, onde um bando de maluco com uma história carregada de bem ou mal tentam fazer contato com o mundo exterior em vão. Ninguém lá fora fica sabendo o que diabos estamos fazendo e quem já está preso e habituado à ilha fica numa de ficar nessa.

Ora, que lenda, ein!? Mas cá estou na Ilha de Lost. Músico e compositor, sou um jovem rapaz jogado aqui e lutando contra a fumaça negra.

Como anda o cenário cultural? – me perguntam. Pra eu que circulo por aqui, digo que vai bem, vai crescendo, toma vitamina de banana e cereal todas as manhãs, fuma uns cigarros pra manter o estilo James Dean e de noite dá um rolê pelas redondezas. Pelas redondezas… É, eu não sou expert pra dizer como andam as coisas lá fora, nem me atrevo na verdade. Mas juro de pés juntos que eu não canto e componho só pra população da Ilha, mas vou descobrir aos poucos como fuciona esse negócio aí.

Tenho visto uma pá de compositores com um talento ímpar apresentando seus trabalhos. 2014 mal começou e já tem um tanto de lançamento na praça, sabia, caro leitor? Pó de Ser Emoriô, Silva, Fabrício, Mango, Fespaschoal, Expurgação, Vitrola de 3, Juliano Gauche, Gustavo Macacko, Wanderson Lopez, André Prando (prazer, sou eu!)…. Peço, para o bem de todos, que procure saber sobre essa galera. Música boa que acaba de sair do forno, outros que, apesar de não serem lançamento, estão quentes como o diabo também. Ouça o que não te botam pra ouvir, juro que você vai descobrir que você tem um gosto.

O que eu tenho procurado fazer é mostrar meu trabalho por aqui antes de dar um rolê pelas demais ilhas, que já estão lotadas e eu não sei se tão afim de acolher um moleque abusado e espaçoso. Abraço quem me abraça, abraço até quem não me conhece.. quer um abraço? Canto no pé do seu ouvido se você quiser, te convido a ouvir meu disco recém lançado, o EP “Vão”, está disponível na internet. Vão ouvir? Ouça e mostre pro seu brother, vivemos na era em que curtir leva ao compartilhar.

Por hora, onde quero chegar? Ora, chegar numa situação em que todos falam ao invés de perguntar sobre nossa cena, seria no mínimo mais interessante. Vitória, Espírito Santo tem muita gente talentosa. Santo de casa faz milagre sim, mas pro milagre acontecer, fiéis são necessários. Consuma-me, bicho. Dá uma ouvida no som de Lost, Vitória não está perdida. Essa não é a primeira vez nem a última que estarei aqui nessa papelada fazendo papel de entusiasta pro meu próprio trabalho e pra quem mais estiver produzindo.

André Prando

Ouça: http://soundcloud.com/andreprando
Curta: http://facebook/prandoandre
Contato: contato@andreprando.com.br

06 03 14

Tava tudo escuro pra cacete, daí eu recebi do meu irmão mais velho uma recomendação de médico de olhos… daqui a pouco eu lembro o nome.

Quando cheguei no oftalmologista ele, de longe, gritou pra ver meu olho direito. Disse que antes de cuidar dos olhos eu devia me alimentar bem. Eu tenho uma doença que faz a minha não-vontade de comer legumes ser relativa ao quanto eu fumo mais.

Era isso.
Foi meio foda.

Acordei, bebi água e fumei um cigarrim.

Vento sul e a lei karmica da gênesis

Em mais uma madrugada a dentro me vi sozinho pedalando pelas avenidas, tão caóticas durante o dia, tão sob controle às quatro.

Gosto muito dessas pedaladas, apesar do cansaço do dia cheio, consigo desfrutar desse momento tranquilo. Mas não saí de casa para esse passeio, voltava da rua, voltava do studio onde estava acompanhando a mixagem de meu cedê que será lançado bem em breve. Aliás, estive nessa empolgante função nos últimos tempos…

Indo direto ao ponto, em determinado ponto percebi um som curioso no ar. Olhei para os lados possíveis, tentei relacionar o som à alguma coisa a vista… nada. Me intrigou, percebi o som mais denso, parecia uma massa de vento assoviando em meus ouvidos. Não era um som da cidade… pausou e voltou momentos depois, bem longe do primeiro ponto em que escutei.

Quase me convenci da possibilidade de estar prestes a ser abduzido por algum extra-terrestre. Olhei para trás, certificando se algum objeto voador me perseguia. Felizmente não. Em frações de segundos, antes de me virar para frente novamente, senti medo de algum ser estar me esperando logo a frente, pronto para parar minha bicicleta para aí então executar a abdução. Também não, também felizmente.

Foi quando tive a impressão de que o som estava ali só para mim, entendi que eram vozes trazidas pelos ventos do sul e indaguei se o tal vento não passa de um fogo no cu, me convencendo da ideia persistente de que eu devia estar atento aos sinais. Quais?

O que decidi chamar de lei karmica do gênesis é algo que conversei há pouco tempo atrás com um macaco que gosto de papear, temos uma relação bem boa, geralmente temos discussões produtivíssimas.

Mas, ora… o gênesis em questão é o dar vida, pense no vômito que é uma composição. Ouvi e concordei sobre o fato de que quando se gasta uma energia ao dar vida à uma composição, o processo de reproduzir e gravar uma obra exige uma energia. Essa energia expelida precisa se manifestar de alguma forma. Em razão, em energia, em físico, em outro plano. Karmicamente o que você pári energicamente, se manifesta.

Me convenci de que o vento sul era a manifestação do feito que tem-se feito diante da minha música. Me senti abraçado pela Ordem da Instrospecção Místicka.

No fim das contas é o parto. Catar-se.

E nem é o fim.

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